Ajuda que ajuda

adventure-1807524_1920Eu estava escalando com um amigo, Joey Redman, na Tennessee Wall muitos anos atrás. Joey estava guiando uma linda via chamada Cakewalk, uma escalada de fenda com um teto pequeno e um crux na metade da via. Joey escalou com confiança até o teto, mas depois teve dificuldades para passar o crux. Ele escalava até o ponto, caía, e se frustrava. Eu estava ansioso para escalar e estava impaciente com a demora dele. Eu ofereci para guiar a via. Joey aceitou, então eu o desci até o chão. Eu guiei a cordada e Joey a subiu como participante, passando o crux sem cair.

Na lição anterior nós ressaltamos uma progressão para melhorar a comunicação em relacionamentos. Concluímos que quando queremos apoiar os outros, é útil perguntar “Como posso ajudar?”. ‘Ajudar’, no entanto, pode ser entendido de forma errada. Podemos nos tornar dependentes do outro, reforçar nossas fraquezas e frustrar o processo de aprendizagem. 

“Ajudar” pode ser interpretado de forma diferente dependendo se ela tiver sido feita da perspectiva de uma vítima ou de um guerreiro. Cada perspectiva é afetada pelo ego e motivação de cada um, e os comportamentos que eles produzem. 

As vítimas têm egos que precisam de validação e reforço. Eles interagem em um relacionamento de formas que satisfazem suas próprias necessidades, o que afasta o apoio do relacionamento e satisfaz seus egos.

Motivadas pelo conforto, as vítimas evitam o esforço e o estresse. Eles também se frustram e agem com impaciência. Estes comportamentos frustram a aprendizagem e o crescimento para elas próprias e para qualquer relacionamento no qual estiverem.

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As vítimas interagem em relacionamentos cooperando de formas co-dependentes. Tipicamente, uma pessoa age como a vítima indefesa enquanto a outra faz o papel do herói que ajuda. Eles dependem um do outro e perpetuam comportamentos que reforçam seus egos.

Foi isso que Joey e eu fizemos. Joey agiu como a vítima indefesa, se frustrando e buscando conforto escapando da situação. Eu agi como o herói que ajuda, sendo impaciente e buscando conforto ao fazer o papel de guiar a via. Cooperamos de forma mutuamente dependente que não permitiu que Joey se comprometesse com o esforço e aprendesse.

Inversamente, os guerreiros buscam formas de desenvolver a consciência dos aspectos limitantes do ego. Eles interagem em um relacionamento de forma que as necessidades do relacionamento sejam satisfeitas, o que os mantêm focados em buscar formas de se apoiar mutuamente.

Motivados pelo estresse, os guerreiros recebem o esforço e o comprometimento na atividade. Eles são curiosos e pacientes. Estes comportamentos favorecem a aprendizagem e o crescimento próprio e do relacionamento no qual estão.

Os guerreiros interagem nos relacionamentos cooperando em formas interdependentes. Ninguém faz o papel de vítima indefesa ou herói que ajuda. Em vez disso, eles participam em comportamentos que reforçam seu relacionamento.

A consciência nos ajuda a sair da co-dependência de vítima. As pessoas que fazem o papel de vítima indefesa se tornam conscientes de sua dependência de serem resgatados. Quem faz o papel de herói que ajuda se torna consciente de sua dependência de resgatar os outros. Com a consciência eles podem encontrar formas de permanecerem comprometidos no esforço.

Joey refletiu sobre sua experiência. Ele me disse que queria que eu tivesse deixado ele se esforçar um pouco mais no crux. Ele estava consciente de que havia perdido uma oportunidade de aprender e que eu havia contribuído para tirar essa oportunidade dele. A consciência nos ajudou a começar a nos apoiar mutuamente de forma interdependente, para sermos guerreiros.

Os guerreiros prestam atenção ao esforço em si para que possam perceber coisas que eles possam fazer para apoiar o esforço dos outros. Em vez de fazer o papel de vitima indefesa, eles podem perceber se há muito estresse, buscar formas de diminui-lo, para conseguirem processá-lo e aprender. Em vez de fazer o papel de herói que ajuda, eles podem perceber o quão estressado os outros estão, dar sugestões para diminuir o estresse, e ajuda-los a redirecionar sua atenção à tarefa, para que eles possam aprender.

Joey e eu percebemos que podíamos agir como guerreiros. Eu podia permanecer paciente, permitindo que ele tenha tempo para se esforçar; ele podia permanecer curioso, se dando tempo para aprender. Nós iríamos cooperar de forma interdependente para apoiar seu aprendizado.


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