arguing-1296392_1280Eu tive uma discussão um dia desses com Jane, minha esposa. Ela estava brava porque eu não havia consertado uma torneira que estava pingando e eu havia dito que arrumaria na semana anterior. Isso a estava deixando acordada à noite e ela sentiu que eu não estava apoiando o que era importante para ela. Eu fiquei ofendido porque eu tive a intenção de arrumá-la. Eu não me senti apoiado porque eu estive trabalhando em outras coisas importantes e me senti criticado por haver esquecido a torneira. 

Temos a tendência de pensar que as outras pessoas não deveriam se comportar como elas se comportam e levar as críticas delas muito pessoalmente. Da minha perspectiva, eu estava fazendo um trabalho importante. Eu senti que ela deveria ter sido capaz de me lembrar de arrumar a torneira de uma maneira mais agradável. Da perspectiva dela, eu estava ignorando algo que era importante para ela: sua necessidade por descanso. Ambos estávamos nos comportando mal e comunicando de uma forma infantil. Por sorte, ambos percebemos nosso comportamento e começamos a investigar formas para comunicar melhor e apoiar um ao outro.

Há uma progressão para melhorar a comunicação. Primeiro, criticar o ego e as identidades dos outros: o ego cria uma identidade de importância – uma autoimagem- com base nas realizações. Quando nossas realizações são criticadas, o ego se sente ameaçado e foca em defender-se. Atacar o ego das outras pessoas faz com que ele se defenda, reforça a perspectiva de cada um e destrói qualquer habilidade de comunicação. Este primeiro estado é um exemplo de uma abordagem de uma vítima para a vida. As vítimas dão um passo de volta ao conforto, se desarmam e protegem seus egos.

Segundo, uma mudança para criticar o comportamento dos outros: Ao criticar os comportamentos alheios, deslocamos nossa atenção da identidade do ego para as ações. As pessoas não são más; o comportamento delas que é. Isto ajuda mais. Fazer isto é menos ameaçador para os outros e lhes dá um espaço para que eles observem o que eles fizeram e possam buscar formas de mudar o comportamento. 

Terceiro, uma mudança para oferecer-lhes ajuda: Aqui vamos além de criticar os egos dos outros ou seus comportamentos. Deslocamos nossa atenção na direção de formas como podemos apoiar e permanecer conectados com os outros. Isto é o que mais ajuda.  Este terceiro estado é um exemplo de uma abordagem de um guerreiro com a vida. Os guerreiros dão um passo à frente, no estresse, se comprometem com ele e protegem a relação.

Podemos aplicar duas ferramentas que nos deixam na posição de oferecer apoio. Primeiro, “não é sobre mim”. O ego se ofende quando outras pessoas nos criticam. No entanto, a forma como os outros agem não é sobre o que fizemos. Os outros têm a escolha de comunicar-se com ódio ou amor. Se eles comunicam com ódio, então essa foi a escolha que eles fizeram para se comunicar.

Segundo, “eles estão fazendo o melhor possível, de acordo com suas habilidades”. Tendemos a pensar que as outras pessoas deveriam agir de forma mais legal. Mas, dependendo de como foram as experiências passadas deles, eles estão fazendo o melhor possível. Alguns comportamentos de sobrevivência são aprendidos durante a infância, e eles não são eficientes para uma comunicação adulta. Entender isso nos permite ter mais compaixão com os outros e nós mesmos. Nos ajuda entender que um comportamento “ruim” não é sobre falhas na pessoa; na verdade, existem falhas no comportamento, o que pode ser mudado. Isto não significa que nós permitimos que os outros se abstenham da responsabilidade por um comportamento ruim. Nós os tornamos responsáveis por seus atos, mas interagimos com eles de forma que os ajude a desenvolver comportamentos “bons”.

Estas duas ferramentas nos deixam na posição de ter uma mente livre, que pode focar nossa atenção de maneira que apoia. Uma mente livre começa aceitando a situação como ela é, para que nossa atenção possa fluir espontaneamente como for preciso. Permitir que o ego se ofenda, ou pensar que os outros deveriam se comportar melhor,  simplesmente distrai nossa atenção. 

Também podemos aplicar este processo para criar uma relação de apoio com nós mesmos. Podemos “discutir” com nós mesmos. Caímos em uma via e internamente discutimos, pensando que não deveríamos ter caído. 

Primeiro, o ego se ofende. Sua imagem e importância estão ameaçadas, portanto nos tornamos vitimas de comportamentos de aversão própria. Isto nos deixa separados da situação, com nossa atenção focada em apoiar o ego, em vez de resolver o problema de porque caímos.

Segundo, podemos mudar o foco para nosso comportamento, nossas ações. Fizemos algo, ou não fizemos algo que causou o comportamento, a queda. Não nos vemos como uma falha; vemos nossos comportamentos, nossas ações, como falhas. Há alguma falha em nossas ações que contribuíram para a queda. O que foi? Este tipo de pensamento é mais útil. 

Terceiro, podemos oferecer apoio. Percebemos que “não é sobre mim”. A queda não significa que somos pessoas falhas. Também percebemos que “estamos dando nosso melhor, de acordo com nossas habilidades atuais”. Sabemos que podemos melhorar, mas para este esforço em particular, fizemos o melhor que podíamos. Saber que “não é sobre nosso ego” e “estamos fazendo o nosso melhor” nos permite aceitar as situações rapidamente para que nossa atenção esteja livre para fluir espontaneamente, como necessário, para podermos aprender. Isto é mais útil. 

Apoiar os outros e a nós mesmos não tira a reponsabilidade por um comportamento ruim. O apoio na verdade cria as circunstâncias que nos permite tomar responsabilidade por nosso comportamento ruim. Saber que “não é sobre nós” e “eles estão fazendo o melhor que eles podem, de acordo com suas habilidades” nos permite ficar conectados e apoiar os outros. 

Jane e eu nos perguntamos como poderíamos ajudar um ao outro. Eu sugeri que ela buscasse a caixa de ferramentas para arrumar a torneira para economizar um tempo para mim. Ela sugeriu que eu consertasse a pia no mesmo dia, para ela ter uma boa noite de descanso. Oferecer apoio nos permitiu aceitar a situação rapidamente e agir. Fazer isto melhorou nossa comunicação, colaboração e ajudou a mudar nossos comportamentos infantis de sobrevivência para comportamentos adultos eficientes. Essa conexão mudou nossas perspectivas e deslocou nossa atenção do ego para a nossa relação. Também fez com que eu arrumasse a torneira naquele dia e proporcionou uma boa noite de descanso para Jane.

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