Um dos maiores desafios para manter o foco é a mudança. As situações estão sempre mudando, trazendo fatos desconhecidos com os quais que temos que lidar. O medo ocorre por causa do desconhecido. Será? Poderia o medo ser causado por como focamos nossa atenção?  Será que existe algo que não muda que é conhecido por nós? E, se focarmos nesta parte da situação, podemos diminuir nossos medos?

Vamos dar uma olhada nos resultados finais e nos processos para determinar o que muda e o que não. Os resultados finais são definidos muito especificamente e não mudam., enquanto os processos, por sua natureza, estão mudando constantemente. O resultado final de escalar a Devils Tower, por exemplo, é definitivo e não muda: a chegada no topo. Reciprocamente, os processos, como respirar, estão em movimento constante e portanto em mudança constante. Estamos definindo os resultados finais e os processos de uma perspectiva externa, ambos separados de nós.

Olhar para os resultados finais e para os processos desde uma perspectiva interna transforma um processo que está continuamente mudando em algo fixo. Respirar, por exemplo, quando visto como um processo completo, é familiar e conhecido. Nós estivemos pessoalmente comprometidos em respirar por toda nossas vidas. Nós respiramos para dentro e para fora. Todo esse processo completo de respiração é conhecido e não muda. Se focamos no processo da respiração, então não teremos nossa atenção em elementos desconhecidos.

 Para lidar com a mudança precisamos focar no que não muda. A situação externa, como a escalada em rocha, muda a cada movimento. A proteção ocorre em intervalos diferentes, existem várias consequência de quedas e existem trechos difíceis e fáceis. Se focamos nestes elementos externos, então nossa atenção está no desconhecido e no que não podemos controlar. Em vez disso, devemos focar nos processos internos, tais como a respiração, para que nossa atenção esteja no que é conhecido e que podemos controlar. Se focamos nossa atenção nestes processos, então focamos no que não muda. Isto é o que ensinamos nas clínicas e workshops do Warrior’s Way.

Pense numa roda, como em uma bicicleta, girando em um eixo. Focar em processos internos nos dá uma base que não muda. Somos o eixo estático observando a roda girando em torno de nós. A mudança ocorre na periferia e tende a distrair nossa atenção. Um fato interessante ocorre quando focamos desde a perspectiva do eixo: a roda girando começa a perder velocidade. A situação externa parece ter menos mudanças porque nossa atenção está focada nos processos internos. Eventualmente, com prática, a roda para de girar enão há distração na atenção. Sem distração na atenção, não há medo.

É importante lembrar que a única coisa que conseguimos controlar é como escolhemos focar nossa atenção. Deslocar nossa atenção da periferia da roda (a situação externa) para o eixo central (processos internos) nos deixa em terreno conhecido. O mundo pode estar girando a nossa volta, mas desde nossa perspectiva fixa nós podemos negociar esse giro com mais eficiência.

Dica Prática: Seja o Eixo

Existem cinco processos internos para focar nossa atenção: descansar, pensar, tomar decisões, cair e se mover. Eles estão agrupados nas três fases da assunção de riscos: preparação, transição e ação. É importante estar em apenas uma fase de cada vez.

  • Preparação (descansar e pensar): Quando você precisar pensar, pare a ação e pense criticamente.  Recolha toda a informação relevante. Também, adquira energia descansando.
  • Transição (tomar decisões): Quando tiver terminado de pensar e descansar, avalie toda a informação e faça uma decisão.
  • Ação (cair e se mover): Se comprometa com a decisão e use sua energia para se mover. Se você cair, empenhe sua energia em cair.

Faça um ciclo entre essas fases quando for preciso.

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