Andei sentindo falta das coisas comuns da vida, como a sensação da rocha, uma conversa presencial com um amigo, pegar um café para viagem enquanto dirigia para o setor de escalada. E você, também sente falta? Eu acho não valorizava, de certa forma, essas coisas comuns antes da pandemia. Como isso aconteceu? Por que elas parecem aumentar em valor quando são tiradas de nós?

Acho que a resposta está em algum lugar da nossa capacidade de encontrar o extraordinário nessas coisas aparentemente comuns. Quando as temos disponíveis com muita facilidade, não percebemos a rapidez com que poderíamos perdê-las. Nossa atenção se distrai para o que valorizamos como mais importante. Portanto, parece uma questão de atenção descobrir quão extraordinárias são essas coisas comuns.

O treinamento mental que fazemos é centrado na atenção, que é tudo o que realmente podemos controlar e influenciar. Mesmo agora, estamos no meio de uma crise e temos uma escolha de como direcionamos nossa atenção. Também estamos fazendo algumas coisas comuns, como tomar café ou almoçar. Nós as apreciamos e valorizamos? Se prestarmos atenção a essas coisas comuns quando as fizermos, aumentaremos o valor percebido que elas nos dão.

Coisas comuns perdem valor quando fazemos muitas tarefas ao mesmo tempo, e pensamos em outras coisas que valorizamos como mais importantes. Achamos que podemos ser mais produtivos se pensarmos em tarefas importantes que precisamos realizar mais tarde, em vez da tarefa comum que estamos realizando agora. O desejo de ser produtivo nos distrai da tarefa atual. Até fazemos isso quando tomamos café ou preparamos uma refeição. Verificamos as notícias, atualizamos o e-mail, etc. Ao fazer isso, não experimentamos totalmente o sabor do café ou da comida que estamos comendo e diminuímos nossa apreciação por eles.

Mudamos o fluxo de nossa atenção para sair dessa armadilha. Em vez de permitir que nossa atenção seja capturada pelas notícias, e-mail ou qualquer outra coisa em que a mente queira pensar, nós a concentramos em nossos sentidos. Sentimos nossos corpos sentados em uma postura relaxada e expandida, a respiração indo e vindo e os sons e visões acontecendo ao nosso redor.

Bebemos nosso café e comemos nossas refeições lentamente, prestando atenção aos cheiros e gostos. Mergulhamos nossa atenção nas sensações do momento, transformando coisas comuns em extraordinárias. Quando estamos imersos dessa maneira, sentimos mais gratidão e apreço pela coisa aparentemente comum que estamos fazendo.

Haverá um tempo em que poderemos escalar novamente. Poderemos preparar uma garrafa de café, dirigir até o setor e experimentar a sensação da rocha e a companhia de amigos. Porém, devemos estar vigilantes. Será fácil demais relevar as coisas comuns novamente. Isso será menos provável se prestarmos atenção quando as estivermos fazendo. Será mais difícil de ocorrer se prestarmos atenção, agora, às coisas aparentemente comuns que estamos fazendo atualmente.

Dica prática: Comer com consciência

Preparação: não é possível realizar várias tarefas ao mesmo tempo, como verificar e-mail, ler ou ouvir as notícias. Preste atenção.

Sente-se com a comida servida e coloque as mãos no colo por um momento. Feche os olhos e respire lentamente três vezes. Agora, abra os olhos e preste atenção em como você pega sua colher ou garfo. Coloque uma pequena quantidade de comida e leve-a à boca … lentamente. Coloque a colher ou o garfo de volta na mesa e coloque as mãos no colo. Mastigue devagar, prestando atenção em como sua língua move a comida até os dentes para que ela possa ser mastigada. Observe os sabores. Observe a sensação e o desejo de engolir enquanto a comida é mastigada. PERCEBA como sua mão deseja pegar a colher ou o garfo antes de terminar de engolir e coloque-a novamente no colo. Continue desta maneira até terminar de comer. O que foi extraordinário nesse evento comum?

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