chaos-1536616_1920Quando olhamos ao redor podemos sentir como se o mundo estivesse indo em direção a um desastre. Podemos estar tristes pela guerra contínua, pela polêmica do casamento gay ou pela corrupção na política. Nos sentimos ansiosos pelo mundo estar tão bagunçado. Trabalhamos arduamente para tornar o mundo um lugar melhor, muda-lo para o que pensamos que deveria ser.

Será possível que o mundo sempre foi da forma que é hoje? Quando olhamos para a história, vemos guerras desastrosas, perseguição de minorias e corrupção na política ao longo de toda o tempo da humanidade. Desde os primórdios da história, através de Genghis Kahn, as guerras mundiais até o Iraque hoje, a raça humana sempre esteve em guerras. Da mesma forma, sempre houve perseguição das minorias, como grupos religiosos e não religiosos, ao longo do tempo. Também, desde a Roma antiga e todas as formas de governo tiveram graus de corrupção. Esta é a realidade de como o mundo foi no passado, como ele é hoje e como ele será no futuro.

Se o mundo sempre foi da forma que é hoje, então por que achamos que devemos muda-lo? Será que é nossa percepção do mundo que está errada? Poderia ser melhor mudar nossa perspectiva para nos alinhar com a realidade de como o mundo é, em vez de resistir? Mas como podemos ir além da nossa percepção de que o mundo está bagunçado e aceitar o fato?

Se aceitamos a realidade de como o mundo é, então podemos agir para criar uma mudança. Podemos tornar o mundo um lugar melhor ao não pensar que ele deveria ser diferente do que é.

Uma mudança efetiva, no entanto, requer ação. A necessidade é a mãe da invenção. Quando a necessidade por algo se torna imperativa, somos forçados a encontrar formas de atingi-la. Quando estamos em guerra, precisamos de paz; quando somos discriminados precisamos de justiça; quando testemunhamos corrupção precisamos de transparência. As necessidades de paz, justiça e transparência criam uma urgência imperativa dentro de nós para agir. Estas necessidades, em conjunto com a aceitação do mundo como ele é, são parte da constante natureza evolutiva do mundo.

Resistir a realidade nos coloca em um estado de ansiedade constante. Vivemos uma vida dividida entre a realidade e nossa percepção dela. Viver tal vida diminui nosso aproveitamento e nossa habilidade de tomar ação efetiva em causas importantes para nós. Se prestamos atenção às necessidades dentro de nós, então podemos agir sem ansiedade. Não estamos divididos; estamos nos movendo em uníssono na direção de um mundo em evolução.

Vamos trazer esta perspectiva para o nosso processo na escalada. Quantas vezes reclamamos sobre agarras que não são utilizáveis, nos frustramos com nosso próprio esforço, ou desejamos que escalar não fosse tão exaustivo? Nós achamos que nossa situação na escalada não está como deveria. Pensamos que teremos uma situação melhor se as agarras fossem maiores, nosso esforço melhor ou se a escalada não fosse tão cansativa.

Na realidade, as afgarras são tão grandes ou pequenas como elas são, não como nós desejamos que elas fossem. Nosso esforço foi tal como foi, não como desejamos que ele fosse. A escalada foi cansativa como ela foi, não como nós desejamos que ela fosse.

Uma mudança efetiva requer ação. A necessidade nos aponta o caminho novamente. Quando experimentamos agarras inutilizáveis, precisamos de agarras que possamos usar; quando nos frustramos precisamos de curiosidade; quando nos sentimos exaustos precisamos relaxar. A necessidade por agarras utilizáveis, curiosidade e relaxamento cria uma urgência dentro de nós para agir. Estas necessidades nos estimulam a crescer.

O terceiro patriarca do Zen, Hsin Hsin Ming, disse: “O grande caminho não é difícil para aqueles que não têm preferencias”. Minha interpretação das preferências de Ming é preferir o conforto e resistir o estresse. A vida está cheia de estresse e resisti-lo na verdade causa mais estresse. Ao mudar nossa perspectiva para não ter preferências por conforto, criamos uma situação mais eficiente e aproveitável para nós.

Por exemplo, imagine que estamos trabalhando em um crux em uma via. Nós desejamos que a agarra fosse maior do que ela é, resistindo a realidade da situação. Desejar que a agarra fosse maior cria um estresse adicional. Enquanto, se aceitamos as agarras como elas são, então teremos apenas o estresse de descobrir a sequência de movimentação do crux. Ao aceitar as agarras como elas são, nós permitimos que a necessidade por agarras utilizáveis nos guie para resolver o crux.

Imagine que caímos em uma via. Se nos frustramos com a queda, resistimos a realidade da situação. Então, temos que lidar com descobrir o motivo pelo qual caímos, e também com a frustração. Enquanto, se aceitamos a queda, então só teremos que descobrir por que caímos. Ao aceitar a queda, permitimos que a necessidade da curiosidade nos guie para a descoberta do motivo da queda.

Imagine que estamos exaustos no meio de uma escalada. Se pensamos que não deveríamos estar exaustos, resistimos a realidade da situação. Portanto, teremos o estresse adicional de resisti-la. Enquanto, se aceitamos a exaustão tal como ela é, então teremos apenas que lidar com a exaustão. Ao aceitar esta, permitimos que a necessidade por um relaxamento nos guie para descobrir como descansamos para recuperar nossa força e continuar comprometido com o esforço.

Se prestarmos atenção à nossa necessidade por crescimento dentro de nós, podemos agir sem ansiedade. Não estamos divididos, lutando com a realidade de como a situação é; estamos nos movendo em uníssono com a situação de aprendizagem que está em constante evolução.

O mundo teve, está tendo e sempre terá eventos estressantes como guerra, discriminação de minorias e corrupção. Da mesma forma, nossa escalada sempre vai incluir estresse. Ao aceitar a realidade, deixamos que a necessidade se mova em nós e aproveitamos o processo de aprendizagem; e não pensamos que o mundo deveria ser diferente, ou vivemos em um estado de ansiedade constante.

Quanto mais rápido aceitarmos esta realidade, mais espontaneidade teremos para agir eficientemente. O Zen ensina isso para desenvolver uma mente livre, uma mente que não se preocupa com preferências. Não tendo preferências por conforto; em vez disso, aceitando as situações como elas são, podemos agir espontaneamente no que é necessário, e aplicar nosso ser para mudar efetivamente. Tornar o mundo um lugar melhor sem ansiedade é possível porque não temos preferencias que interferem com a realidade.

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