smoking-1418483_1280Niccolò Maquiavel morava em Florença, na Itália durante o Renascimento, quando o país estava experimentando muito caos e guerra. Ele era um alto funcionário na Republica Florentina, com responsabilidades em eventos diplomáticos e militares, dando conselhos ao rei.

Maquiavel também era filósofo. Ele estudou o filósofo grego Platão, que falava sobre lutar pelos ideais no comportamento humano, como amor, bondade e gentileza. Ver a situação caótica da Itália demonstrava a ele que os ideais de Platão não existiam no mundo real. Ele não via mal em lutar por um ideal, mas enquanto isso era importante lidar com os humanos como eles realmente eram: gananciosos, violentos e podres. Ele escreveu O príncipe para servir como um livro de instruções para o rei lidar com a situação caótica.

A filosofia Maquiavélica é considerada negativa porque ela encoraja o comportamento sem escrúpulos. Ela se resume em: o fim justifica os meios. Em outras palavras, acabar com a violência e atingir um estado pacífico na Itália era justificado por quaisquer meios, inclusive mentiras, atitudes desonestas e até mesmo matar pessoas inocentes.

Antes de acharmos que Maquiavel era um mau filósofo, devemos olhar os nossos próprios comportamentos. Podemos estar viciados em realizações, justificando quaisquer comportamentos para atingir uma meta final. Nós lutamos para atingir metas, nos frustramos quando não as atingimos rapidamente e até sofremos de depressão “pós-cadena”. Em pouco tempo estaremos imersos na frustração lutando por outra meta, ou deprimidos porque não preenchemos o vazio deixado pela realização. Quando demonstramos estes comportamentos, participamos de uma abordagem maquiavélica com a escalada. Justificamos quaisquer meios para atingir uma meta final, nos tornamos continuamente viciados por realizações e nunca estamos totalmente satisfeitos.

Estar viciados por realizações pode nos dar a sensação de estarmos perdidos. Nos perguntamos “o que eu faço agora?” após atingirmos a meta. Em vez de responder a pergunta estabelecendo outra meta para atingir, podemos responde-la de forma que nosso foco esteja voltado para dentro. A melhor resposta para a sensação de estarmos perdidos é encontrar-nos, o nosso verdadeiro ser, para não nos perdermos novamente.

Primeiro, identificamos qual parte de nós está conduzindo os comportamentos maquiavélicos. É o dragão de 1000 cabeças do ego. As realizações alimentam o dragão do ego, mas é efêmero. Ele está constantemente faminto e, portanto, precisa ser alimentado constantemente para se satisfazer. Como não podemos atingir metas todos os dias, o ego nos faz viver em um estado de constante insatisfação. Nossos amigos podem se surpreender com o que somos capazes de realizar e quão corajosos somos. Na verdade, estamos usando uma máscara fina de coragem do ego que cobre o medo. Temos medo de olhar para nossa motivação pelo que podemos encontrar. Em vez de agir corajosamente, nós temos medo de não conseguir atingir a meta.

Em segundo lugar, temos que sair de nosso eu-egóico e mudar para nosso eu-verdadeiro. Esta mudança requer que cortemos as cabeças do dragão do ego. Fazer isto requer coragem verdadeira. Precisamos encarar nossos medos e nos aprofundar na nossa própria psicologia de forma honesta. É necessário sermos guerreiros para podermos invocar a coragem que está dentro, nas profundezas escuras de nossas próprias mentes.

O ego cria uma falação interna que iguala nosso valor com as realizações e depois nos castiga quando não conseguimos realizar as metas rapidamente. “Eu não presto. Não sou forte o suficiente, inteligente o bastante…eu não sou o bastante”. Este tipo de falação interna do ego precisa ser cortado desde sua raiz.

Começamos destruindo o dragão do ego fazendo com que a autoestima não seja um problema; ela não depende de realizações. Temos valor agora. A seguir, percebemos os pensamentos do ego sobre autoestima e os rotulamos como tais. Fazer isto expõe o ego em seu esconderijo, revela a motivação dele e evita que ele fuja. Finalmente, cortamos uma das muitas cabeças do dragão ao deslocar nossa conversa interna para o processo de aprendizagem. Fazemos isto permanecendo curiosos. “Por que eu escalo? Por que caí? O que eu preciso aprender aqui?. Este tipo de conversa interna nos desloca para uma motivação mais intrínseca, que se baseia na aprendizagem. Esta motivação se origina dentro de nós, do nosso verdadeiro ser, um ser que está interessado em aprender.

Podemos ainda estar viciados na escalada uma vez que encontramos nosso verdadeiro ser, mas será porque amamos o que a escalada nos ensina sobre nós mesmos. Desde essa perspectiva é impossível se frustrar ou deprimir. Estamos felizes porque estamos aprendendo; somos felizes porque atingimos metas; somos felizes após atingir metas.

Em vez de justificar uma luta, a frustração ou depressão como meios necessários para atingir um fim, os meios do processo de aprendizagem se tornam o fim em si. Não precisamos exibir a pior expressão de Maquiavel sobre o comportamento humano. Podemos, aliás, viver os ideais de Platão enquanto aproveitamos nossas desafiantes jornadas na vida.

Leave a Reply

Close Menu